{"id":624,"date":"2025-11-04T19:07:14","date_gmt":"2025-11-04T19:07:14","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/2025\/11\/04\/capacidade-institucional-de-atendimento-protegido\/"},"modified":"2025-11-18T19:16:16","modified_gmt":"2025-11-18T19:16:16","slug":"capacidade-institucional-de-atendimento-protegido","status":"publish","type":"dicionario_verbete","link":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/dicionario_verbete\/capacidade-institucional-de-atendimento-protegido\/","title":{"rendered":"CAPACIDADE INSTITUCIONAL DE ATENDIMENTO PROTEGIDO"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-file\">\n<a href=\"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/71-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar PDF<\/a>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong>MARISA RIBEIRO TEIXEIRA DUARTE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>GENIANA GUIMAR\u00c3ES FARIA<\/strong><\/p>\n\n\n<P>Em sistemas educacionais federativos, como o brasileiro, estados e munic&iacute;pios, al&eacute;m da Uni&atilde;o, disp&otilde;em de autonomia pol&iacute;tica e responsabilidade pela gest&atilde;o de recursos financeiros.&nbsp; Entretanto, as rela&ccedil;&otilde;es intergovernamentais demandam um aparato institucional normativo que preservem a autonomia, por&eacute;m capaz de produzir rupturas nas assimetrias distributivas existentes. Nesse sentido, a Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira estabelece para a Uni&atilde;o o exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&atilde;o supletiva e redistributiva mediante assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e financeira aos estados e munic&iacute;pios (&sect;1&ordm;, art. 211, CF). A Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional &#8211; Lei n&ordm; 9.394\/1996 &#8211; por sua vez, orienta que essas a&ccedil;&otilde;es devem observar a capacidade de atendimento dos entes federados (art. 75, &sect; 1&ordm;). Este termo &eacute; definido como a raz&atilde;o entre os recursos de uso constitucionalmente obrigat&oacute;rio na Manuten&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento do Ensino (MDE) e o custo anual do aluno, relativo ao padr&atilde;o m&iacute;nimo de qualidade (art. 75, &sect; 2&ordm;). A rela&ccedil;&atilde;o custo-qualidade foi bastante debatida na literatura nacional (FARENZENA, 2004; CARREIRA; PINTO, 2007, DUARTE, 2010) com o objetivo de estabelecer qual valor determinaria o aporte complementar de recursos t&eacute;cnicos e financeiros da Uni&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos demais sistemas de ensino. No contexto da d&eacute;cada de noventa do s&eacute;culo XX, os debates em torno da determina&ccedil;&atilde;o da capacidade de atendimento discutiam um padr&atilde;o normativo de custos capaz de assegurar um ensino com qualidade. Nas discuss&otilde;es realizadas pela Campanha Nacional pelo Direito &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o, Carreira e Pinto (2007) definiram pressupostos gerais para chegar aos n&uacute;meros de Custo-Aluno Qualidade. Os valores apresentados, por etapas e modalidades de ensino, estabelecem um patamar m&iacute;nimo de qualidade de educa&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o considerados, como Custo-Aluno Qualidade inicial, um primeiro passo rumo &agrave; qualidade t&atilde;o almejada. Para esses autores, a capacidade de atendimento do sistema de ensino refere-se ao n&uacute;mero de alunos que s&atilde;o atendidos levando-se em conta o montante de recursos disponibilizados para a MDE e valores do custo aluno fixados nacionalmente. Na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, o termo &#8220;capacidade de atendimento&#8221; n&atilde;o aparece de modo expl&iacute;cito, mas a ideia sugerida por ele est&aacute; presente, ao tratar da possibilidade de recursos p&uacute;blicos serem utilizados no setor privado da educa&ccedil;&atilde;o mediante bolsa de estudos, caso a rede p&uacute;blica local <I>n&atilde;o seja capaz de atender toda a demanda <\/I>(&sect; 1&ordm;, Art. 213). Se a capacidade de atendimento da rede p&uacute;blica local for insuficiente para expandir sua pr&oacute;pria rede de ensino, poder&atilde;o ser concedidas bolsas de estudos em institui&ccedil;&otilde;es privadas. Concep&ccedil;&atilde;o semelhante acha-se presente na Lei n&ordm; 11.094 de 2007, que criou o Fundo de Manuten&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica e Valoriza&ccedil;&atilde;o dos Profissionais da Educa&ccedil;&atilde;o &#8211; FUNDEB. Ela estabelece que a Uni&atilde;o complementar&aacute; os recursos existentes na contas estaduais sempre que, no &acirc;mbito de cada Estado e no Distrito Federal, o valor m&eacute;dio ponderado por aluno n&atilde;o alcan&ccedil;ar o m&iacute;nimo definido nacionalmente (art. 4&ordm;). Ou seja<I>,<\/I> a complementa&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o ao FUNDEB ocorrer&aacute; se a capacidade de atendimento dos Estados e Munic&iacute;pios n&atilde;o permitir que um valor m&iacute;nimo por aluno definido nacionalmente seja atingido. Tanto a CF quanto a lei que regulamentou o FUNDEB consideram capacidade de atendimento como sendo um indicador de execu&ccedil;&atilde;o do investimento obrigat&oacute;rio em educa&ccedil;&atilde;o. Mas, no Brasil, a capacidade de os estados e munic&iacute;pios arrecadarem impostos &eacute; muito desigual e essa situa&ccedil;&atilde;o influencia a composi&ccedil;&atilde;o de suas receitas e, consequentemente, os valores vinculados &agrave; MDE (art. 212, CF). Essa realidade contribui para a perman&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias dos padr&otilde;es de qualidade, como a disponibilidade de boas instala&ccedil;&otilde;es, equipamentos e professores bem pagos (SOARES; S&Aacute;TRYO, 2008). Por outro lado, os Munic&iacute;pios com maior disponibilidade fiscal, ou seja, que possuem arrecada&ccedil;&atilde;o mais significativa de impostos pr&oacute;prios ou contam com repasses proporcionalmente maiores do Imposto sobre Circula&ccedil;&atilde;o de Mercadorias e Servi&ccedil;os (ICMS), podem realizar maiores investimentos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; demanda educacional. Essas diferen&ccedil;as de capacidade fiscal produzem desigualdades de oportunidades educacionais com efeitos sobre a qualidade do ensino ofertado (DUARTE, 2010)<I>.<\/I> Em 2007, foi lan&ccedil;ado pelo Governo Federal o Plano de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o (PDE) que introduziu mudan&ccedil;as na regula&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es intergovernamentais ao associar transfer&ecirc;ncias volunt&aacute;rias de recursos &#8211; assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e financeira aos estados e munic&iacute;pios &#8211; com o cumprimento de metas educacionais. O repasse de recursos acha-se, na atualidade, condicionado &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o do rendimento escolar medido pelo &Iacute;ndice de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (IDEB). Trata-se da emerg&ecirc;ncia e dissemina&ccedil;&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o por desempenho (MAROY, 2006) no sistema educacional brasileiro. No entanto, ao associar diretamente transfer&ecirc;ncias de recursos com o desempenho escolar obtido, deixa-se de enfrentar a quest&atilde;o da desigualdade de atendimento entre Estados e Munic&iacute;pios devido &agrave; diferen&ccedil;a fiscal entre eles<B>.<\/B> Conhecer a &#8220;capacidade institucional de atendimento protegido&#8221; (FARIA; DUARTE, 2009) dos entes federados &#8211; valor m&iacute;nimo que o sistema de ensino est&aacute; constitucionalmente obrigado a investir por aluno matriculado em sua rede de escolas &#8211; permite comparar as potencialidades institucionais dos poderes p&uacute;blicos na MDE. Desse modo, as desigualdades fiscais s&atilde;o articuladas com o desempenho educacional do sistema. Por&eacute;m, a no&ccedil;&atilde;o de padr&atilde;o m&iacute;nimo de qualidade estabelecida na LDBEN (art. &sect;2&ordm;, art. 75) est&aacute; associada ao cumprimento da determina&ccedil;&atilde;o constitucional brasileira de vincula&ccedil;&atilde;o de recursos para MDE.&nbsp; A variabilidade da capacidade institucional de atendimento protegido pode constituir em fator interveniente sobre o desempenho. Em muitos pa&iacute;ses, recursos escolares n&atilde;o s&atilde;o fatores de efic&aacute;cia escolar. A raz&atilde;o disso &eacute; que o grau de equipamentos e conserva&ccedil;&atilde;o das escolas n&atilde;o varia muito. No Brasil, entretanto, tem-se bastante variabilidade nos recursos escolares com que contam as escolas. E a maior restri&ccedil;&atilde;o externa para o bom funcionamento da escola associa-se aos recursos financeiros empregados para equip&aacute;-la e pagar seus professores (SOARES, 2004). &Eacute; preciso, pois, priorizar politicamente os recursos mediante assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e financeira da Uni&atilde;o para estados e Munic&iacute;pios que possuem baixo IDEB, mas tamb&eacute;m baixa capacidade institucional de atendimento protegido. Estados e Munic&iacute;pios com baixo IDEB e elevada capacidade institucional de atendimento protegido precisam somente de assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica para gerir melhor seus recursos e utiliz&aacute;-los em fatores que realmente contribuam para a melhoria educacional. No caso do Brasil com tamanha desigualdade econ&ocirc;mica e educacional, o novo modo de regula&ccedil;&atilde;o por desempenho, baseado somente nos resultados obtidos, n&atilde;o &eacute; suficiente. &Eacute; preciso associ&aacute;-los a fatores como a capacidade institucional de atendimento protegido para se evitar bonifica&ccedil;&otilde;es perversas a gestores p&uacute;blicos. <\/P>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","categories":[25],"class_list":["post-624","dicionario_verbete","type-dicionario_verbete","status-publish","hentry","category-c"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete\/624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete"}],"about":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/dicionario_verbete"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}