{"id":745,"date":"2025-11-04T19:07:23","date_gmt":"2025-11-04T19:07:23","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/2025\/11\/04\/escola-filantropica\/"},"modified":"2025-11-18T19:13:47","modified_gmt":"2025-11-18T19:13:47","slug":"escola-filantropica","status":"publish","type":"dicionario_verbete","link":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/dicionario_verbete\/escola-filantropica\/","title":{"rendered":"ESCOLA FILANTR\u00d3PICA"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-file\">\n<a href=\"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/274-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar PDF<\/a>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MARILUCE BITTAR<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n<p><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n\n<p>Caracteriza-se como uma institui&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o que presta servi&ccedil;os\neducacionais e\/ou de assist&ecirc;ncia social, colocando-os &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o\nsem exigir por eles qualquer tipo de remunera&ccedil;&atilde;o. Em geral, esses servi&ccedil;os\nprestados pelas escolas filantr&oacute;picas s&atilde;o caracterizados como atividades\ncomplementares &agrave; a&ccedil;&atilde;o do Estado; por essa raz&atilde;o, podem ser entendidas como\nmedidas compensat&oacute;rias, mas necess&aacute;rias, para assegurar o acesso da popula&ccedil;&atilde;o a\ndeterminados servi&ccedil;os. A filantropia &eacute; regulada pela pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia\nsocial, mas, apenas com a Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira de 1988, &eacute; que a assist&ecirc;ncia\nsocial adquiriu <i>status <\/i>de &#8220;pol&iacute;tica\np&uacute;blica&#8221;. At&eacute; ent&atilde;o, as a&ccedil;&otilde;es vinculadas &agrave; assist&ecirc;ncia social eram relegadas &agrave;s\natividades comandadas pelas primeiras damas dos munic&iacute;pios, dos estados e da\nUni&atilde;o, numa perspectiva claramente identificada como favor, benesse,\nassistencialismo, que, de certo modo, reproduzia a condi&ccedil;&atilde;o de subalternidade\ndo usu&aacute;rio. Ap&oacute;s a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, foi aprovada a Lei Org&acirc;nica da\nAssist&ecirc;ncia Social (LOAS), Lei n&ordm; 8.742 de 1993, que instituiu o\nConselho Nacional de Assist&ecirc;ncia Social (CNAS) com a incumb&ecirc;ncia, entre outras,\nde <i>&#8220;[&#8230;] acompanhar, fiscalizar o\nprocesso de certifica&ccedil;&atilde;o das entidades e organiza&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia social;\n(&#8230;) apreciar relat&oacute;rio anual que conter&aacute; a rela&ccedil;&atilde;o de entidades e\norganiza&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia social certificadas como beneficentes [&#8230;]&#8221;.<\/i> O\nDecreto n. 752 de fevereiro de 1993 disp&ocirc;s sobre a concess&atilde;o do Certificado de\nEntidade de Fins Filantr&oacute;picos, reiterou as isen&ccedil;&otilde;es fiscais para institui&ccedil;&otilde;es\nde assist&ecirc;ncia social, de educa&ccedil;&atilde;o ou de sa&uacute;de, <i>&#8220;[&#8230;] postulando a obrigatoriedade destas entidades a aplicarem a\ngratuidade de atendimento no percentual m&iacute;nimo de 20% de sua renda bruta&#8221;<\/i>\n(ESCORSIM, 2008, p. 3). A autora analisa os intensos debates que se seguiram\nap&oacute;s a institui&ccedil;&atilde;o dessas medidas legais, evidenciando o car&aacute;ter amb&iacute;guo\ndaquilo que se definia como <i>&#8220;a&ccedil;&otilde;es de\nassist&ecirc;ncia social&#8221;<\/i>, especialmente porque envolvia a isen&ccedil;&atilde;o de tributos\ndas entidades caracterizadas como <i>&#8220;filantr&oacute;picas&#8221;.<\/i>\nO debate se acentuou com as medidas neoliberais que estavam na base das\npol&iacute;ticas sociais do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). No bojo\ndas reformas neoliberais, o governo editou a Lei n&ordm; 9.732 de 11 de dezembro de 1998,\nque redefiniu os crit&eacute;rios de isen&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es filantr&oacute;picas,\ncaracterizando essas entidades como aquelas que promovam <i>&#8220;[&#8230;] <\/i><i>gratuitamente e em car&aacute;ter\nexclusivo, a assist&ecirc;ncia social beneficente a pessoas carentes, em especial a\ncrian&ccedil;as, adolescentes, idosos e portadores de defici&ecirc;ncia [&#8230;]&#8221;.<\/i> A Lei define tamb&eacute;m a isen&ccedil;&atilde;o\nde contribui&ccedil;&otilde;es para <i>&#8220;entidades sem fins\nlucrativos educacionais&#8221;,<\/i> na <i>&#8220;propor&ccedil;&atilde;o\ndo valor das <\/i><i>vagas cedidas, integral e gratuitamente, a carentes e do\nvalor do atendimento &agrave; sa&uacute;de de car&aacute;ter assistencial&#8221;. <\/i>De acordo com Escorsim (2008, p. 4), a referida Lei <i>&#8220;[&#8230;] foi objeto de intensos debates e nova\nregulamenta&ccedil;&atilde;o, colocando-se como alvo de disputas de interesses dos diversos\ngrupos, tanto conservadores das benesses como tamb&eacute;m daqueles que queriam\ncorrigir suas distor&ccedil;&otilde;es e direcion&aacute;-la na perspectiva dos direitos sociais&#8221;. A\n<\/i>discuss&atilde;o relativa &agrave; destina&ccedil;&atilde;o de verbas p&uacute;blicas para institui&ccedil;&otilde;es\nprivadas esteve e continua presente nos debates sobre a quest&atilde;o da filantropia\nno Brasil e sobre a caracteriza&ccedil;&atilde;o do que efetivamente seja uma entidade de\nassist&ecirc;ncia social e, portanto, merecedora de recursos p&uacute;blicos. &Eacute; o que se\nconstata em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior, que se organizou por meio de v&aacute;rios\nsegmentos (p&uacute;blicos e privados), por ocasi&atilde;o da Assembleia Nacional\nConstituinte, em 1988. Deve-se registrar, nesse sentido, a inser&ccedil;&atilde;o do artigo 213 da nova Carta Constitucional que prev&ecirc;:\n&#8220;<i>Os recursos p&uacute;blicos ser&atilde;o destinados &agrave;s\nescolas p&uacute;blicas, podendo ser dirigidos a escolas comunit&aacute;rias, confessionais\nou filantr&oacute;picas, definidas em lei que: I) comprovem finalidade n&atilde;o lucrativa e\napliquem seus excedentes financeiros em educa&ccedil;&atilde;o; II) assegurem a destina&ccedil;&atilde;o de\nseu patrim&ocirc;nio a outra escola comunit&aacute;ria, filantr&oacute;pica ou confessional, ou ao\npoder p&uacute;blico, no caso de encerramento de suas atividades&#8221;.<\/i> H&aacute; que se\ndestacar o movimento das universidades comunit&aacute;rias, confessionais e\nfilantr&oacute;picas, por ocasi&atilde;o da elabora&ccedil;&atilde;o da Carta Constitucional de 1988, que defendia\na tese de que tamb&eacute;m deveriam ser destinat&aacute;rias de verbas p&uacute;blicas. Al&eacute;m disso,\ndefendiam a ideia de que esse segmento, formado por institui&ccedil;&otilde;es que reunissem\nessas tr&ecirc;s caracter&iacute;sticas, (&#8220;comunit&aacute;ria&#8221;; &#8220;confessional&#8221;; &#8220;filantr&oacute;pica&#8221;) possu&iacute;a\numa identidade que o diferenciava das institui&ccedil;&otilde;es estritamente privadas, ou\nseja, aquelas vinculadas a empresas familiares que veem na educa&ccedil;&atilde;o uma\nmercadoria. A press&atilde;o exercida por parte desse subconjunto de universidades\nresultou na aprova&ccedil;&atilde;o do artigo 213 supramencionado. O dispositivo\nconstitucional consagrou, portanto, a denomina&ccedil;&atilde;o &#8220;<i>escolas comunit&aacute;rias, confessionais ou filantr&oacute;picas<\/i>&#8221; &#8211; em fase de gesta&ccedil;&atilde;o desde a primeira metade da\nd&eacute;cada de 1980. Ocorre, entretanto, que no entendimento das Institui&ccedil;&otilde;es de\nEduca&ccedil;&atilde;o Superior (IES) Comunit&aacute;rias, Confessionais <b>e <\/b>Filantr&oacute;picas n&atilde;o caberia a disjuntiva <i>&#8220;ou&#8221;<\/i> mantida no artigo 213 da\nConstitui&ccedil;&atilde;o: <i>&#8220;comunit&aacute;rias,\nconfessionais <b>ou <\/b>filantr&oacute;picas&#8221;, <\/i>pois\nentendiamque todas essas IES\ndeveriam reunir essas tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es ao mesmo tempo. Mas, em que pese os\nesfor&ccedil;os do segmento comunit&aacute;rio, a express&atilde;o n&atilde;o foi modificada, outorgando o direito\nao segmento empresarial de ser destinat&aacute;rio de verbas estatais, pois muitas IES\npertencentes a esse segmento possuem o certificado de filantropia (BITTAR,\n1999, p. 89). &nbsp;De modo geral, observa-se\nque o embasamento legal relativo &agrave; filantropia no Brasil, bem como os debates\nem torno do tema, reside fundamentalmente no fato de contraporem interesses dos\nsetores p&uacute;blico e privado em torno da destina&ccedil;&atilde;o das verbas p&uacute;blicas. H&aacute; uma\nlacuna no que diz respeito ao efetivo trabalho desenvolvido por essas escolas\nou institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior, com certificado de filantropia, no\nsentido de aquilatar a qualidade dos servi&ccedil;os oferecidos e verificar em que\nmedida cumprem uma fun&ccedil;&atilde;o social no sentido de assegurar o acesso aos direitos\neducacionais de parcelas da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o s&atilde;o atingidas pela a&ccedil;&atilde;o do\nEstado.<\/p>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","categories":[27],"class_list":["post-745","dicionario_verbete","type-dicionario_verbete","status-publish","hentry","category-e"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete\/745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete"}],"about":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/dicionario_verbete"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}