{"id":767,"date":"2025-11-04T19:07:25","date_gmt":"2025-11-04T19:07:25","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/2025\/11\/04\/experiencia-coletiva-docente\/"},"modified":"2025-11-18T19:13:39","modified_gmt":"2025-11-18T19:13:39","slug":"experiencia-coletiva-docente","status":"publish","type":"dicionario_verbete","link":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/dicionario_verbete\/experiencia-coletiva-docente\/","title":{"rendered":"EXPERI\u00caNCIA COLETIVA DOCENTE"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-file\">\n<a href=\"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/292-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar PDF<\/a>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DIANA VIDAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CL\u00c1UDIA VIANNA<\/strong><\/p>\n\n\n<p>O termo experi&ecirc;ncia &eacute;\ndefinido na maior parte dos dicion&aacute;rios brasileiros como o ato de experimentar\ne tamb&eacute;m como uma forma de conhecimento n&atilde;o organizado, ou de sabedoria\nadquirida de maneira espont&acirc;nea. Essa defini&ccedil;&atilde;o &eacute; sistematizada pela Sociologia\nfrancesa, nos anos de 1990, para designar a heterogeneidade de l&oacute;gicas, regras\ne valores, a dist&acirc;ncia subjetiva entre os atores sociais e o sistema, e a\ndissolu&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o e da cultura comunit&aacute;ria na contemporaneidade. Assim, para\nFran&ccedil;ois Dubet (1994), &eacute; a experi&ecirc;ncia social, constru&iacute;da pelos pr&oacute;prios\natores, que passa a dar unidade &agrave;s significa&ccedil;&otilde;es da vida social e por isso se\ntorna um dos objetos essenciais da &aacute;rea. Contudo, &eacute; na Hist&oacute;ria que essa no&ccedil;&atilde;o\nadquire amplo uso para demonstrar a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento e\/ou da\nconsci&ecirc;ncia a partir de viv&ecirc;ncias, constru&iacute;das subjetivamente e conformadas por\ncondi&ccedil;&otilde;es sociais, trajet&oacute;ria recuperada por Raymond Williams (2007) ao\nanalisar a tradi&ccedil;&atilde;o anglo-americana do termo. Nessa perspectiva, ganham\nevid&ecirc;ncia os trabalhos de E. P. Thompson e sua concep&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia como\nchave para a media&ccedil;&atilde;o entre estrutura social e consci&ecirc;ncia social. Para o autor\n(1981, p. 189), &#8220;As pessoas n&atilde;o experimentam sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia apenas\ncomo ideias (&#8230;). Elas tamb&eacute;m experimentam sua experi&ecirc;ncia como sentimento e\nlidam com esses sentimentos na cultura (&#8230;)&#8221; (THOMPSON, 1981, p. 182).\nInst&acirc;ncia de coes&atilde;o social, nem sempre consciente, a cultura assume lugar\nprivilegiado sob a pena do historiador e convida-o a considerar que a\nexperi&ecirc;ncia &eacute; simultaneamente individual e coletiva. &Eacute; essa percep&ccedil;&atilde;o que lhe\npermite afirmar a relativa autonomia do sujeito (n&atilde;o sua total liberdade) em\nrela&ccedil;&atilde;o aos determinismos de classe. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, tamb&eacute;m, desconsiderar a\nrela&ccedil;&atilde;o que Thompson estabelece entre necessidades e interesses, por um lado, e\nantagonismos, por outro, nas situa&ccedil;&otilde;es experimentadas (inclusive nas rela&ccedil;&otilde;es\nprodutivas). As experi&ecirc;ncias se produzem no jogo das tens&otilde;es sociais.<\/p>\n\n<p>Nesses termos, compreender a\ndoc&ecirc;ncia como uma <b>experi&ecirc;ncia coletiva<\/b>,\nno di&aacute;logo com Thompson, significa tom&aacute;-la a partir de pelo menos tr&ecirc;s\nelementos, de acordo com Diana Vidal (2010): 1) a trajet&oacute;ria escolar; 2) a\nrela&ccedil;&atilde;o intersubjetiva com diferentes atores sociais (e escolares); e 3) a\nconfronta&ccedil;&atilde;o dos sujeitos com as condi&ccedil;&otilde;es materiais da exist&ecirc;ncia e do\ntrabalho docente. <\/p>\n\n<p><b>Trajet&oacute;ria escolar <\/b>remete\nao conjunto da experi&ecirc;ncia acumulada pelo sujeito professor\/a ao longo de sua\nvida. Isso envolve saberes e modelos formadores. Pretende-se compreender a\nprodu&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas docentes no amplo ciclo da escolariza&ccedil;&atilde;o, o que suscita\nn&atilde;o apenas a insist&ecirc;ncia no estudo da import&acirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o,\nmas tamb&eacute;m o interesse em conhecer as experi&ecirc;ncias escolares vivenciadas em\ndiferentes ocasi&otilde;es. Tem por pressuposto que, antes de se tornarem docentes, os\nsujeitos constitu&iacute;ram-se como alunos\/as. O investimento implica em alargar a\nan&aacute;lise para todo o per&iacute;odo passado nos bancos escolares, compreendendo a\nescola como lugar amplo de difus&atilde;o de modelos culturais, como, por exemplo,\ndistintos modelos (positivos e negativos) de doc&ecirc;ncia. Ser aluna\/o, assim,\najuda a produzir a identidade docente enquanto parte de seu processo m&uacute;ltiplo,\ndiferenciado e cont&iacute;nuo de constru&ccedil;&atilde;o. O procedimento incita a perceber essa\n(re)constru&ccedil;&atilde;o na urdidura do tr&acirc;nsito desses sujeitos nos v&aacute;rios espa&ccedil;os de\nsociabilidade com os quais conviveram e remete aos significados tramados nas <b>rela&ccedil;&otilde;es intersubjetivas<\/b> que\nestabeleceram ao longo de suas vidas. Essa segunda dimens&atilde;o da experi&ecirc;ncia\ndocente realiza-se entrela&ccedil;ando diferentes atores sociais (e escolares) em\ndistintos n&iacute;veis e em variados espa&ccedil;os de sociabilidade<i>,<\/i> na compreens&atilde;o de que o magist&eacute;rio se constr&oacute;i pela conviv&ecirc;ncia\ncotidiana docente no interior (ou fora) da escola e da troca de aprendizagens\nelaboradas na solu&ccedil;&atilde;o de fazeres ordin&aacute;rios. Atentar para a subjetividade na\nconstru&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia coletiva docente refor&ccedil;a considera&ccedil;&otilde;es tra&ccedil;adas por\nMaurice Tardif e sua equipe (1991) sobre a import&acirc;ncia dos saberes da pr&aacute;tica,\nda ger&ecirc;ncia das situa&ccedil;&otilde;es de sala de aula e da rela&ccedil;&atilde;o cotidiana com alunas\/os\ncomo fundamentos do exerc&iacute;cio e da compet&ecirc;ncia profissional. Mar&iacute;lia Carvalho\n(1999) chegou a conclus&otilde;es semelhantes para investiga&ccedil;&otilde;es realizadas no Brasil,\nao afirmar que o aprendizado, fruto do exerc&iacute;cio profissional, era mais\nvalorizado pelos professoras\/es que os conhecimentos apreendidos nas\ninstitui&ccedil;&otilde;es formadoras. <\/p>\n\n<p>A terceira dimens&atilde;o diz respeito &agrave; <b>materialidade da escola<\/b> (objetos com os\nquais professores e professoras lidam cotidianamente como livros, cartazes,\nglobos, dentre outros), ao espa&ccedil;o escolar (sala de aula, tamanho da escola,\ntrabalho em uma ou duas escolas), ao tempo escolar (da aula, da perman&ecirc;ncia\ndi&aacute;ria, semanal, anual na escola, da perman&ecirc;ncia na carreira, tempo hist&oacute;rico),\n&agrave; carreira (sal&aacute;rio, projetos individuais, expectativas de ascens&atilde;o,\nparticipa&ccedil;&atilde;o em associa&ccedil;&otilde;es sindicais) e &agrave;s urg&ecirc;ncias da classe (s&iacute;ntese e\nnegocia&ccedil;&otilde;es). Investiga&ccedil;&otilde;es brasileiras sobre o car&aacute;ter coletivo da a&ccedil;&atilde;o e da\norganiza&ccedil;&atilde;o docente v&ecirc;m mostrando a rela&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca entre esses elementos\npara o conhecimento dos processos pelos quais professoras e professores\nreconhecem e avaliam aquilo que os faz agir juntos, as concep&ccedil;&otilde;es que os\naglutinam e\/ou separam ao longo de sua constitui&ccedil;&atilde;o enquanto atores coletivos\n(VIANNA, 1999). <\/p>\n\n<p>Gostar&iacute;amos de acrescentar mais um\nelemento: a experi&ecirc;ncia docente como <b>processo\nde produ&ccedil;&atilde;o de identidades<\/b>, &#8220;<i>processos\npelos quais sujeitos s&atilde;o criados<\/i>&#8221; (SCOTT, 1999, p. 48). Recorremos &agrave;\ndefini&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia forjada por Joan Scott porque consideramos que os\nsujeitos &#8220;<i>n&atilde;o s&atilde;o indiv&iacute;duos unificados,\naut&ocirc;nomos, que exercem o livre arb&iacute;trio, mas, ao contr&aacute;rio, s&atilde;o sujeitos cujo\nagenciamento &eacute; criado atrav&eacute;s de situa&ccedil;&otilde;es e posi&ccedil;&otilde;es que lhes s&atilde;o conferidas.<\/i>&#8221;\n(SCOTT, 1999, p. 42). Assim, o magist&eacute;rio se produz nas experi&ecirc;ncias docentes e\nelas s&atilde;o necessariamente tensionadas pelas condi&ccedil;&otilde;es materiais e subjetivas que\nremetem aos modos coletivos de entender e validar a doc&ecirc;ncia e &agrave;s desigualdades\nsociais que a configuram nas suas mais variadas dimens&otilde;es, entre elas, as de\nclasse, etnia, gera&ccedil;&atilde;o e g&ecirc;nero. Essas <b>experi&ecirc;ncias\ncoletivas docentes<\/b> s&atilde;o constitu&iacute;das na cultura, nas institui&ccedil;&otilde;es de\nforma&ccedil;&atilde;o, na conviv&ecirc;ncia cotidiana com colegas e comunidade e nos v&aacute;rios\npercursos de escolariza&ccedil;&atilde;o seguidos. <\/p>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","categories":[27],"class_list":["post-767","dicionario_verbete","type-dicionario_verbete","status-publish","hentry","category-e"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete\/767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete"}],"about":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/dicionario_verbete"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}