{"id":855,"date":"2025-11-04T19:07:30","date_gmt":"2025-11-04T19:07:30","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/2025\/11\/04\/multiculturalismo\/"},"modified":"2025-11-18T19:12:11","modified_gmt":"2025-11-18T19:12:11","slug":"multiculturalismo","status":"publish","type":"dicionario_verbete","link":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/dicionario_verbete\/multiculturalismo\/","title":{"rendered":"MULTICULTURALISMO"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-file\">\n<a href=\"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/141-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar PDF<\/a>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong>JEAN RYOO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PETER MCLAREN<\/strong><\/p>\n\n\n<P>Um movimento de reforma educacional que valoriza como os estudantes pobres, n&atilde;o-dominantes, de cor e suas comunidades s&atilde;o fontes valiosas de riqueza, for&ccedil;a e conhecimento cultural. Ao reconhecer que a opress&atilde;o institucionalizada &eacute; uma fonte fundamental de desigualdade educacional &#8212; especialmente quando se ressaltam as experi&ecirc;ncias negativas de educa&ccedil;&atilde;o dos estudantes n&atilde;o-dominantes, cujas l&iacute;nguas, culturas e sistemas de cren&ccedil;a nativos s&atilde;o ignorados ou menosprezados na sala de aula e, portanto, rotulados de irrelevantes, sem import&acirc;ncia e &#8220;errados&#8221;&#8212; o multiculturalismo procura desafiar cren&ccedil;as equivocadas de que estudantes pobres, n&atilde;o-dominantes e de cor s&atilde;o privados de cultura e moral. Originalmente, o multiculturalismo serviu como estrat&eacute;gia para unir grupos &eacute;tnicos e raciais, por&eacute;m, hoje, abrange outras formas de diversidade (i.e. classe, g&ecirc;nero e sexualidade), enfatizando como a luta social e a opress&atilde;o institucional ocorrem na interse&ccedil;&atilde;o das ra&ccedil;as, etnicidades, classes, g&ecirc;neros, sexualidades, religi&otilde;es, entre outros. Muitos localizam as origens do multiculturalismo no Movimento dos Direitos Civis, nos Estados Unidos, nos anos 1960, no qual ativistas de cor real&ccedil;aram a import&acirc;ncia da diversidade e dos direitos humanos. No entanto, as ra&iacute;zes do multiculturalismo podem ser situadas anteriormente ao primeiro movimento dos estudos &eacute;tnicos iniciado por estudiosos como George Washington Williams e levado adiante por grandes pensadores como W.E.B. DuBois e Carter G. Woodson. Atualmente, h&aacute; abordagens, defini&ccedil;&otilde;es e objetivos variados e contradit&oacute;rios no que diz respeito ao multiculturalismo nas escolas, devido ao engajamento fr&aacute;gil e superficial que muitas vezes se apresenta em rela&ccedil;&atilde;o ao movimento. Infelizmente, o compromisso superficial com o multiculturalismo &#8212; o que se pode chamar de &#8220;multiculturalismo conservador&#8221;&#8212; resultou na redefini&ccedil;&atilde;o do multiculturalismo para significar uma celebra&ccedil;&atilde;o superficial de &#8220;comidas, festivais e folclore&#8221; n&atilde;o-dominantes (GONZ&Aacute;LEZ, 1995; NIETO, 1994; MEYER; RHOADES, 2006), sem qualquer cr&iacute;tica sobre a opress&atilde;o institucional na educa&ccedil;&atilde;o. Professores e administradores multiculturalistas conservadores fazem suposi&ccedil;&otilde;es perigosas e falsas de que as pessoas da mesma na&ccedil;&atilde;o compartilham a mesma l&iacute;ngua e cultura, que as fam&iacute;lias da mesma cultura compartilham os mesmos valores, ou que os estudantes se identificam com apenas uma cultura baseados na cor de sua pele, em um mundo onde a &#8220;brancura&#8221; &eacute; considerada a norma invis&iacute;vel (MCLAREN, 1997). Exemplos de multiculturalismo conservador nos Estados Unidos podem ser relacionados &agrave;s vis&otilde;es coloniais dos Afro-americanos como escravos, empregados e artistas, assim como as teorias evolucionistas que apoiam as doutrinas da supremacia branca, biologizando as pessoas de pele escura como &#8220;criaturas&#8221; ex&oacute;ticas a serem exaltadas como objetos n&atilde;o-humanos. Outra forma de multiculturalismo &#8212; o &#8220;multiculturalismo liberal&#8221;&#8212; tenta desafiar a objetifica&ccedil;&atilde;o de culturas n&atilde;o-dominantes vis&iacute;veis no multiculturalismo conservador, sublinhando a &#8220;semelhan&ccedil;a&#8221; intelectual entre todos os povos, ao defender que todos podem competir igualmente no mercado capitalista, se se modificarem as oportunidades sociais e educacionais, a fim de se criarem &#8220;condi&ccedil;&otilde;es&#8221; justas. Essa vis&atilde;o geralmente resulta em um humanismo etnoc&ecirc;ntrico e opressivamente universalista, no qual as normas legitimadoras que governam a subst&acirc;ncia da cidadania s&atilde;o identificadas mais fortemente com as comunidades pol&iacute;tico-culturais anglo-americanas. A &ecirc;nfase do multiculturalismo liberal na semelhan&ccedil;a ignora as diferen&ccedil;as culturais importantes entre as ra&ccedil;as, as etnicidades, os g&ecirc;neros, etc., respons&aacute;veis pelos diferentes valores, atitudes e pr&aacute;ticas sociais. Uma terceira forma de multiculturalismo &#8212; o &#8220;multiculturalismo liberal de esquerda&#8221; &#8212; desafia o conceito de multiculturalismo liberal de uma igualdade de ra&ccedil;as ao grifar as diferen&ccedil;as culturais relacionadas &agrave; ra&ccedil;a, etnicidade, classe, etc. No entanto, o multiculturalismo liberal de esquerda tende a exoticizar a &#8220;alteridade&#8221; e destacar em excesso o conceito de autenticidade cultural, ao ignorar como a diferen&ccedil;a est&aacute; situada tanto social quanto historicamente em maneiras que afetam a interpreta&ccedil;&atilde;o de sentidos tal que a pr&oacute;pria pol&iacute;tica da localiza&ccedil;&atilde;o de uma pessoa garante antecipadamente a &#8220;corre&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&#8221; de um indiv&iacute;duo e concede autoridade especial para falar por todos os &#8220;outros&#8221;. O multiculturalismo liberal de esquerda pode geralmente admitir que h&aacute; uma experi&ecirc;ncia &#8220;feminina&#8221; ou &#8220;Latina&#8221; aut&ecirc;ntica independentemente da hist&oacute;ria e das rela&ccedil;&otilde;es de poder. Finalmente, o &#8220;multiculturalismo cr&iacute;tico&#8221; (MCLAREN, 1994) difere de todos acima, ao adotar uma agenda pol&iacute;tica transformadora que reconhece como as representa&ccedil;&otilde;es de ra&ccedil;a, etnicidade, classe, g&ecirc;nero, etc. s&atilde;o compreendidas como o resultado de lutas sociais maiores por signos e significados. O multiculturalismo cr&iacute;tico n&atilde;o se encarrega simplesmente do jogo textual ou do deslocamento metaf&oacute;rico do multiculturalismo liberal de esquerda como resist&ecirc;ncia, mas, ao contr&aacute;rio, sinaliza a necessidade de transformar rela&ccedil;&otilde;es institucionais, culturais e sociais que criam o significado. O multiculturalismo cr&iacute;tico vai al&eacute;m dos conceitos essencializantes de &#8220;semelhan&ccedil;a&#8221; ou &#8220;diferen&ccedil;a&#8221; &#8212; apontando como a semelhan&ccedil;a ou a diferen&ccedil;a ocorrem entre dois ou maisgrupos e devem ser compreendidas em termos da especificidade de sua produ&ccedil;&atilde;o. Desse modo, o multiculturalismo cr&iacute;tico reconhece que a transforma&ccedil;&atilde;o institucional n&atilde;o deve apenas assumir as opera&ccedil;&otilde;es internas das institui&ccedil;&otilde;es educacionais (curr&iacute;culos escolares e materiais de ensino, estilos de ensino e aprendizagem, assim como atitudes, percep&ccedil;&otilde;es e comportamentos de professores e administradores), mas tamb&eacute;m promover discuss&otilde;es sobre poder, pol&iacute;tica, brancura e capitalismo. Os educadores do multiculturalismo devem estar dispostos a questionar suas cren&ccedil;as pessoais a respeito de classe, ra&ccedil;a, etnicidade, g&ecirc;nero, etc., enquanto refletem abertamente sobre seus preconceitos moldados por sua pr&oacute;pria posicionalidade e participa&ccedil;&atilde;o em grupos raciais, &eacute;tnicos, de classe, idade, g&ecirc;nero, sexualidade, etc. diferentes. Incorporar de fato o multiculturalismo nas escolas envolve n&atilde;o s&oacute; abordar como o conhecimento de conte&uacute;do (em matem&aacute;tica, ci&ecirc;ncia, hist&oacute;ria, etc.) pode ser integrado nas salas de aulas de formas culturalmente relevantes, mas tamb&eacute;m tratar como a constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento na sala de aula &eacute; afetada pelos contextos hist&oacute;ricos e sociopol&iacute;ticos localizados que s&atilde;o internalizados pelos estudantes e professores da mesma forma. <\/P>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","categories":[35],"class_list":["post-855","dicionario_verbete","type-dicionario_verbete","status-publish","hentry","category-m"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete\/855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete"}],"about":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/dicionario_verbete"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}