{"id":989,"date":"2025-11-04T19:07:40","date_gmt":"2025-11-04T19:07:40","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/2025\/11\/04\/tempos-escolares\/"},"modified":"2025-11-18T19:09:04","modified_gmt":"2025-11-18T19:09:04","slug":"tempos-escolares","status":"publish","type":"dicionario_verbete","link":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/dicionario_verbete\/tempos-escolares\/","title":{"rendered":"TEMPOS ESCOLARES"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-file\">\n<a href=\"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/209-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar PDF<\/a>\n<\/div>\n\n\n\n<p><strong>IN\u00caS ASSUN\u00c7\u00c3O DE CASTRO TEIXEIRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n\n\n<p>S&atilde;o uma complexa, fina e delicada trama de\nfluxos, de dura&ccedil;&otilde;es e ritmos, de temporalidades dos ciclos vitais e geracionais\ne demais dimens&otilde;es temporais inscritas no cotidiano escolar, constituindo-os e\nordenando temporalmente. Nos tempos escolares est&atilde;o &#8220;muitos tempos dentro do\ntempo&#8221;, que fazem da escola um espa&ccedil;o em v&aacute;rios tempos. Neles est&aacute; a maior\nparte dos tempos de trabalho dos professores. Eles se constituem das\ntemporalidades, das cad&ecirc;ncias, dos usos e distribui&ccedil;&otilde;es dos per&iacute;odos de tempo\npresentes nos espa&ccedil;os, nas intera&ccedil;&otilde;es, nos curr&iacute;culos, na cultura, nos\nrituais e pr&aacute;ticas escolares e na organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho escolar. Referem-se,\nainda, aos ritmos, transcursos e fluxos da vida escolar e de seus sujeitos, aos\nmovimentos, processos e din&acirc;micas do cotidiano e da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho na\nescola, &agrave;s longas, m&eacute;dias e curtas dura&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas da institui&ccedil;&atilde;o escolar.\nParte da forma escolar e da cultura da escola, na arquitetura dos tempos\nescolares, est&atilde;o imbricados os horizontes temporais do passado, do presente e\ndo futuro que comp&otilde;em os conhecimentos e saberes de outrora e de agora,\ntransmitidos de gera&ccedil;&atilde;o a gera&ccedil;&atilde;o, que se desdobram nos conhecimentos futuros,\narticulando a mem&oacute;ria cultural e o pret&eacute;rito ao presente e ao devir. As\ntemporalidades pr&oacute;prias dos diversos ciclos da vida, os ciclos vitais &#8211; da\ninf&acirc;ncia, da juventude e da idade adulta &#8211; tamb&eacute;m moram nos tempos escolares,\nassim como as temporalidades relativas &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es humanas, originadas nas\ndiferentes &eacute;pocas em que os indiv&iacute;duos se inseriram no transcurso da hist&oacute;ria,\nmediante seu nascimento. As novas gera&ccedil;&otilde;es, as gera&ccedil;&otilde;es intermedi&aacute;rias e as\ngera&ccedil;&otilde;es mais antigas comp&otilde;em os tempos escolares, sejam as gera&ccedil;&otilde;es de\ndocentes, sejam as dos discentes, neles tecendo rela&ccedil;&otilde;es de troca, do aprender\ne ensinar e do ensinar aprendendo. Os tempos escolares velam e revelam as\nresponsabilidades, as dificuldades, as tens&otilde;es e conflitos, tanto quanto o\nentendimento, a reciprocidade, a harmonia e entendimento presentes nas\nintera&ccedil;&otilde;es dos sujeitos sociais da escola, posicionados em diferentes ciclos de\nvida e gera&ccedil;&otilde;es. Na arquitetura dos tempos escolares, destacam-se, ainda, ao\nlado dos rel&oacute;gios, outros marcadores temporais: os calend&aacute;rios e hor&aacute;rios, que\nregulam os per&iacute;odos de in&iacute;cio e t&eacute;rmino, as dura&ccedil;&otilde;es e extens&atilde;o dos per&iacute;odos\ndestinados &agrave;s diversas atividades educativo-pedag&oacute;gicas, &agrave;s a&ccedil;&otilde;es, &agrave;s\nintera&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas dos sujeitos sociais da escola, marcadores temporais\nvis&iacute;veis nas paredes, nos quadros, nas agendas, entre outros lugares onde se\nmostram. Os calend&aacute;rios definem as subtemporalidades da escola, como os dias de\ntrabalho e de descanso, os bimestres, os semestres. Eles estabelecem os\nper&iacute;odos destinados &agrave; rotina escolar, como tamb&eacute;m os momentos e datas festivos\nou comemorativos e definem as datas pedag&oacute;gicas especiais. Entre elas, as\nocasi&otilde;es, as datas e prazos para as atividades de planejamento e de avalia&ccedil;&atilde;o,\nos recessos, as f&eacute;rias, entre outras de suas fun&ccedil;&otilde;es. Acoplados aos calend&aacute;rios\nno ordenamento r&iacute;tmico dos tempos escolares, est&atilde;o os quadros de hor&aacute;rios,\nesquadrinhando, distribuindo e definindo per&iacute;odos, dura&ccedil;&otilde;es e ritmos. Os\nhor&aacute;rios estabelecem os momentos da chegada e da sa&iacute;da da escola; os tempos do\nrecreio, das aulas, bem como os turnos de trabalho, as sequ&ecirc;ncias e o\nencadeamento das atividades escolares, entre outros de seus aspectos. Tamb&eacute;m os\ncurr&iacute;culos envolvem dimens&otilde;es e marca&ccedil;&otilde;es temporais que revelam as op&ccedil;&otilde;es\npol&iacute;tico-pedag&oacute;gicas e prioridades da escola. Neles, assim como nos calend&aacute;rios\ne hor&aacute;rios, est&atilde;o contidas as &#8220;dura&ccedil;&otilde;es esperadas socialmente&#8221;, nos termos de\nMerton (1992). Estas dizem respeito &agrave;s expectativas associadas aos per&iacute;odos de\ntempo definidos para os diversos tipos de intera&ccedil;&otilde;es sociais e atividades\npedag&oacute;gico-escolares, tais como a carga hor&aacute;ria destinada &agrave;s diferentes\natividades, disciplinas e conte&uacute;dos de ensino. As &#8220;dura&ccedil;&otilde;es esperadas\nsocialmente&#8221; distribuem e definem os per&iacute;odos letivos, a seria&ccedil;&atilde;o ou os ciclos\nde ensino e aprendizagem, as etapas e n&iacute;veis do sistema escolar ao lado do que se\ndeve fazer e alcan&ccedil;ar em cada um desses tempos. Os curr&iacute;culos cont&ecirc;m pautas e\npadr&otilde;es temporais que balizam os procedimentos de aprova&ccedil;&atilde;o e de repet&ecirc;ncia dos\nestudantes, uma vez que para cada per&iacute;odo, n&iacute;vel ou etapa dos percursos\nescolares fica determinado um conjunto de ensinamentos que os docentes dever&atilde;o\ndesenvolver e que os discentes dever&atilde;o alcan&ccedil;ar. Se essas dura&ccedil;&otilde;es e prazos s&atilde;o\ncumpridos conforme o esperado, os educandos s&atilde;o aprovados e, caso sejam\ndescumpridos, s&atilde;o considerados reprovados, irregulares, lentos, fracos, ficam\nretidos, entre outras classifica&ccedil;&otilde;es e lugares que lhes s&atilde;o reservados. Os\npadr&otilde;es temporais fixados pelas &#8220;dura&ccedil;&otilde;es esperadas socialmente&#8221; relativas &agrave;s\ntrajet&oacute;rias escolares que habitam os hor&aacute;rios, calend&aacute;rios e curr&iacute;culos s&atilde;o\nhomog&ecirc;neos e devem ser cumpridos por todos os discentes, embora eles sejam\ndiferentes quanto a seus ritmos biops&iacute;quicos de aprendizagem e &agrave;s suas\nnecessidades e hist&oacute;rias pessoais, sociais e escolares. Esses marcadores\ninscrevem-se nas din&acirc;micas de poder na escola e expressam as rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a\ne os diferentes interesses, valores, concep&ccedil;&otilde;es e projetos em disputa nos\nterrenos da educa&ccedil;&atilde;o, dentro e fora da escola. Ao definirem diferentes\nextens&otilde;es de carga hor&aacute;ria entre as disciplinas e os conte&uacute;dos de ensino, ao se\nestruturarem atrav&eacute;s da seria&ccedil;&atilde;o ou dos ciclos, por exemplo, eles selecionam,\nclassificam e hierarquizam os conhecimentos, os saberes e as atividades\nescolares, conforme as concep&ccedil;&otilde;es e op&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-pedag&oacute;gicas das escolas.\nSendo eles formas de exerc&iacute;cio do poder simb&oacute;lico, os calend&aacute;rios, hor&aacute;rios e\ncurr&iacute;culos s&atilde;o campos de disputa, evocando uma no&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-racional do tempo\nna escola, conforme Hargreaves (1998). Eles priorizam ou desconsideram,\nasseguram ou pro&iacute;bem, alargam ou estreitam os tempos para um conte&uacute;do e outro,\npara uma atividade e outra, para uma e outra &aacute;rea de conhecimento, projetos e\ntrabalhos. Como dispositivos de poder simb&oacute;lico, os curr&iacute;culos, hor&aacute;rios e\ncalend&aacute;rios n&atilde;o s&atilde;o neutros. Fazem esquecer ou lembrar certas datas, enfatizam\nou silenciam algo, assim como estabelecem prazos, fixam datas, momentos de\npartida e de chegada, conformando as cad&ecirc;ncias e dura&ccedil;&otilde;es das trajet&oacute;rias\nescolares. Quanto &agrave; origem dessas regula&ccedil;&otilde;es e contornos dos tempos escolares,\n&eacute; uma no&ccedil;&atilde;o e formas de c&ocirc;mputo e mensura&ccedil;&atilde;o do tempo vinda de longas cadeias\nde gera&ccedil;&otilde;es humanas, culturas e &eacute;pocas que os criaram. A no&ccedil;&atilde;o de tempo e as\nformas de indic&aacute;-lo s&atilde;o uma constru&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-hist&oacute;rica das culturas que os\ninstitu&iacute;ram para compreender, para se localizar e para nomear os fluxos\npresentes nos movimentos da natureza e nas din&acirc;micas da vida social, das\npr&aacute;ticas sociais, conforme &Eacute;. Durkheim (1989) e N. Elias (1989). Foram tamb&eacute;m\ncriados para orientar e tornar poss&iacute;vel o entendimento e a integra&ccedil;&atilde;o entre os\nindiv&iacute;duos e grupos em intera&ccedil;&atilde;o, regulando, orientando e definindo\ntemporalmente as dura&ccedil;&otilde;es e ritmos das pr&aacute;ticas sociais e da vida em comum, da\nvida em sociedade, uma vez que definem os tempos e dura&ccedil;&otilde;es das atividades e\nrotinas das coletividades. A no&ccedil;&atilde;o de tempo n&atilde;o &eacute; um <i>a priori<\/i> do pensamento humano, pois n&atilde;o nascemos com ela. N&oacute;s\naprendemos a no&ccedil;&atilde;o de tempo, segundo Durkheim e Elias, entre outros pensadores\nque analisaram a problem&aacute;tica do tempo social. Trata-se de uma institui&ccedil;&atilde;o\nsocial do tempo, cuja no&ccedil;&atilde;o e formas de medi&ccedil;&atilde;o temporais foram sendo\ninventadas e transmitidas ao longo da hist&oacute;ria. A no&ccedil;&atilde;o de tempo que referencia\ne circunscreve os tempos escolares nos dias atuais &eacute; a de um tempo social\nmercantil, industrial, linear, exato e fragmentado, erigida nas sociedades\nocidentais, paralelamente &agrave; emerg&ecirc;ncia e consolida&ccedil;&atilde;o da modernidade e do\ncapitalismo industrial, sendo o rel&oacute;gio um dos principais instrumentos de sua\nmensura&ccedil;&atilde;o. Esse contexto s&oacute;cio-hist&oacute;rico e sua no&ccedil;&atilde;o e formas de c&ocirc;mputo do\ntempo deu as bases para os tempos e ritmos da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho na\nescola, ou seja, a moderna no&ccedil;&atilde;o de tempo circunscreve os tempos escolares e o\ntrabalho docente, visto que a escola passou a se estruturar como uma\norganiza&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica moderna, que busca a efic&aacute;cia e a efici&ecirc;ncia a partir\nda conduta racional dos indiv&iacute;duos que requer um aproveitamento racional do\ntempo, nos termos de M. Weber (1964). Ou, na perspectiva de K. Marx (1971), a\norganiza&ccedil;&atilde;o do trabalho na escola &eacute; regida pela l&oacute;gica temporal do trabalho\nassalariado, da compra e venda do tempo de trabalho por um sal&aacute;rio, em que est&aacute;\ncontido o tempo de trabalho n&atilde;o pago. No longo percurso hist&oacute;rico da\nciviliza&ccedil;&atilde;o ocidental, in&uacute;meros grupos sociais e culturas foram se afastando do\nmovimento da natureza inumana, dos astros, como referente temporal dos\ncompassos da vida social, agora pautados em outros ritmos, referenciados nos\nrel&oacute;gios, calend&aacute;rios e hor&aacute;rios. E, mais recentemente, nos referentes do\n&#8220;tempo eletr&ocirc;nico&#8221;. A r&iacute;tmica das atividades e das pr&aacute;ticas sociais\nmodificou-se. Novas cad&ecirc;ncias emergiram com as transforma&ccedil;&otilde;es do mundo do\ntrabalho, dos modos de produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia e da vida coletiva.\nOs ritmos do mundo fabril, da ind&uacute;stria, do urbano e das metr&oacute;poles se instauraram\ne expandiram a todas as &aacute;reas e dom&iacute;nios da experi&ecirc;ncia humana, tal como os\ntempos escolares. A produ&ccedil;&atilde;o mercantil, o tempo de trabalho vendido, comprado e\napropriado imp&ocirc;s os ritmos da produtividade como par&acirc;metro do mundo moderno e\ncontempor&acirc;neo, do capitalismo ocidental, que embora n&atilde;o seja um padr&atilde;o &uacute;nico ou\nabsoluto, &eacute; o que predomina, &eacute; o que regula os outros tempos da vida p&uacute;blica e\nprivada dos indiv&iacute;duos. Os tempos escolares e neles as temporalidades inscritas\nna organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho escolar e da atividade docente, sob rela&ccedil;&otilde;es de\nprodu&ccedil;&atilde;o pautadas na compra e venda do tempo de trabalho docente, fazem dos\nprofessores trabalhadores assalariados como outras categorias de trabalhadores.\nNos tempos escolares est&atilde;o as din&acirc;micas do tempo de trabalho dos professores,\nvendido e comprado por um sal&aacute;rio. E neles est&atilde;o ainda, como em outras\ninstitui&ccedil;&otilde;es, campos e esferas da vida social, as dimens&otilde;es do institu&iacute;do e do\ninstituinte. A primeira, relativa ao que est&aacute; posto e determinado, &agrave; norma, &agrave;s\nestruturas, ao padr&atilde;o regulamentado e estabelecido. A segunda, a dimens&atilde;o\ninstituinte, refere-se aos protagonismos e a&ccedil;&otilde;es dos sujeitos da escola,\ncapazes de instaurar o in&eacute;dito, o imprevisto, o inusitado. Os sujeitos sociais\nda escola, em sua a&ccedil;&atilde;o cotidiana, transgridem, recusam, desobedecem, resistem,\ninovam,&nbsp;op&otilde;em-se aos tempos\nestabelecidos. Embora existam de forma clara e concreta no interior das escolas\ne no imagin&aacute;rio de seus sujeitos, os padr&otilde;es, as dura&ccedil;&otilde;es e ritmos impostos\npelos marcadores temporais e pela organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho na escola nem sempre\ns&atilde;o aceitos e obedecidos. H&aacute; in&uacute;meras ocasi&otilde;es e maneiras em que s&atilde;o\ndesobedecidos, transgredidos, desconsiderados, descumpridos, refeitos e\nressignificados na a&ccedil;&atilde;o instituinte dos sujeitos sociais da escola, individual\nou coletivamente, &agrave;s claras ou &agrave;s escondidas. Docentes e discentes costumam\nfaltar &agrave; escola; estendem informalmente os hor&aacute;rios dos recreios e diminuem os\nper&iacute;odos das aulas; modificam os calend&aacute;rios e prazos conforme seus desejos,\ninteresses e circunst&acirc;ncias, por exemplo. Quaisquer que sejam os fios,\ntran&ccedil;ados e formas em que os tempos escolares se comp&otilde;em e s&atilde;o constru&iacute;dos na\nescola, s&atilde;o eles objeto de concord&acirc;ncia como tamb&eacute;m de luta, de conflito. E\ntanto podem ser obedecidos quanto descumpridos. S&atilde;o mantidos ou alterados no\njogo de interesses e for&ccedil;as nela existentes. Para al&eacute;m desses contornos e\ndin&acirc;mica dos tempos escolares, quando vistos numa perspectiva fenomenol&oacute;gica,\nobserva-se, nos territ&oacute;rios da escola, uma experi&ecirc;ncia e sentimentos do tempo\nde natureza mais subjetiva e qualitativa, relativa ao que ali fazemos e aos\nsentidos e significados que atribu&iacute;mos ao que ali se passa e acontece, conforme\nHargreaves (1998) salienta. Nesse sentido, uma mesma aula de cinquenta minutos\npode parecer de cinco, para os professores e jovens alunos que sentem prazer\nnas atividades nela realizadas. E, contrariamente, esses mesmos cinquenta\nminutos podem parecer uma aula de quatro horas, de minutos e minutos que nunca\nterminam, para esse mesmo grupo de docentes e discentes, para quem esse tempo\nn&atilde;o d&aacute; prazer ou n&atilde;o tem um significado positivo. Nas sociedades modernas, os\ntempos escolares s&atilde;o, tamb&eacute;m, um direito social, um direito de cidadania. Os\ncidad&atilde;os e cidad&atilde;s t&ecirc;m direito a um tempo de escola, que n&atilde;o lhes pode ser\nnegado. Crian&ccedil;as e jovens devem ter acesso e permanecer nos tempos e espa&ccedil;os da\nescola, neles se desenvolvendo como sujeitos sociais individuais e coletivos,\ncapazes de habitar e (re)inventar a vida em comum, o mundo<i>.<\/i> E, observando-se por outro &acirc;ngulo, os profissionais da escola t&ecirc;m\ndireito a um tempo de trabalho digno, mediante condi&ccedil;&otilde;es que lhes permitam\nrealizar com qualidade social e humana o seu of&iacute;cio de educadores. Os\nprofessores vendem seu tempo de trabalho &agrave;s escolas, que devem respeitar seus\ndireitos de trabalhadores conquistados em memor&aacute;veis tempos\/movimentos\/lutas\ndocentes, em v&aacute;rias &eacute;pocas e partes do mundo e novos direitos trabalhistas\nainda devem ser conquistados.&nbsp;Os tempos\nescolares s&atilde;o, em suma, constru&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-hist&oacute;ricas que podem n&atilde;o somente\nreproduzir e conservar suas bases atuais, como tamb&eacute;m abrir-se a mudan&ccedil;as. Da\nmesma forma como os contornos e tran&ccedil;ados da atual arquitetura dos tempos\nescolares foram gradativamente criados e institu&iacute;dos, novos contornos e\ntran&ccedil;ados temporais podem ser desenhados e edificados, mediante protagonismos\ninstituintes dos sujeitos individuais e coletivos da educa&ccedil;&atilde;o e da escola.\nPodem abrir-se a novas, desejadas e poss&iacute;veis figura&ccedil;&otilde;es que fa&ccedil;am dos tempos\nescolares e dos tempos docentes uma significativa realiza&ccedil;&atilde;o humana, social,\ncultural. Que fa&ccedil;a dos tempos escolares das crian&ccedil;as, adolescentes e jovens\nsignificativas aprendizagens e experi&ecirc;ncias de forma&ccedil;&atilde;o humana, vividas num\ntempo de direitos, de dignidade e alegria, que respeite e fecunde suas\ninf&acirc;ncias, adolesceres e juventudes para que se abram em devires plenos de\nvida, de humanas e formosas hist&oacute;rias.<\/p>","protected":false},"featured_media":0,"template":"","categories":[42],"class_list":["post-989","dicionario_verbete","type-dicionario_verbete","status-publish","hentry","category-t"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete\/989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/dicionario_verbete"}],"about":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/dicionario_verbete"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/homologacaoariete.com.br\/gestrado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}