O avião já está subindo novamente, mas encontrará uma série de turbulências para chegar ao destino final. A súbita retomada do otimismo em relação ao desempenho da economia em 2017, ancorada na melhoria ainda pontual de alguns indicadores recentes, mostra que nem todos os gatos escaldados têm medo de água fria. Já houve um momento semelhante no ano passado, na esteira do impeachment e do programa de reformas neoliberais encaminhadas pelo governo Temer, porém ainda há muitas dúvidas no meio do caminho para aprovação dessas reformas. Temos boas expectativas do que fatos e tendências consistentes.
Os indicadores de confiança na economia chegaram em janeiro a 127,3, enquanto o nível neutro está entre 95 a 105. O índice de confiança industrial atingiu tão somente 89,0, o menor nível desde 2014. A evolução da pesquisa focus, do banco central, ao ouvir os principais players do mercado, como instituições financeiras e economistas, apontam para um crescimento em 2017, ao redor de 0,5% (entre 0,2% e 0,7%), enquanto as projeções do FMI indicam 0,2%. Para 2018, a pesquisa focus indica crescimento de 2,2%, um tanto otimista para os dias atuais.
Vários economistas indicam que a economia brasileira não crescerá mais do que 2% em média ao ano, até 2021, abaixo dos 3,5% para redistribuir a renda. Com isso, o cenário para os próximos cinco anos é de crescimento relativamente baixo. Infelizmente, o desemprego continuará crescendo no próximo ano. A taxa de desocupação poderá ultrapassar os 13 milhões de pessoas, hoje estamos com 12 milhões de desempregados (12% da força de trabalho), refletindo na necessidade de solucionar o desequilíbrio fiscal e promover a redução da taxa de juros, para criar condições para a volta do crescimento econômico, pois as empresas poderão começar a investir com a recuperação da credibilidade na política fiscal e monetária.
Entretanto, há sinais negativos no campo político eeconômico, capazes de comprometer o ajuste fiscal e indicadores vitais da economia brasileira, o processo da lava jato, o possível impeachment do atual presidente, a burocracia, insegurança jurídica, legislação previdenciária, legislação trabalhista, competitividade, produtividade,compliance, inovação e tecnologia. Salientamos que a reforma da previdência será vital para a melhoria do sistema. Por outro lado, há excesso de endividamento das famílias, do governo e dos setores industriais, com exceção para o setor bancário. A liberação das contas inativas do FGTS, pode representar um certo alívio para os devedores pessoas físicas. Infelizmente, continuaremos a ver um número importante de pedidos de recuperação judicial, com todas as consequências negativas sobre emprego e atividade.
Para ouvir o áudio completo da palestra, acesse www.rotarysp.org.br/podcast.